Estilhaços e retalhos


É tão curioso 
Ver como tem gente 
Que acredita 
Em quem se mostra 
como um um poço de mentiras
Dia após dia

É tão confuso
Ver que ninguém está realmente disposto
A enxergar de fato o outro
Tudo porque se deixou cativar
E imagina
Ninguém pode ser assim, Camila! 
tão ruim 
tão vulgar

É confuso
Acompanhar a dinâmica 
de quem pensa que errar é humano
Mas que reagir, não
Afinal de contas
a vingança não é cristã
E quem tem padrinho
não morre pagão
Não é mesmo?

Então passa a ser muito melhor
Sobrecarregar o outro 
com a sua condenação
Arrasa-lo
Culpa-lo
E quando mesmo assim 
A vítima
(E eu odeio usar essa palavra)
Se reinventa
E segue adiante
É preciso machuca-la mais um pouco
O que esperar de novo aqui?

Numa fantasia de anjo
Até um demônio pode parecer razoável
Se a imagem for tudo o que ele tiver 
para se esconder
E permanecer

Como numa queda de braço
Apenas uma das partes 
A mais forte
vence
Talvez porque não sobre 
nenhuma outra vitória ilusória

Ou vantagem pra contar

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