Adubo
Se é da ferida que a luz entra
é de tudo que há de ruim que me aconteceu
que aprendi a valorizar o que é bom
o que me completa
surpreende
e encanta
Quando comecei a escrever
Havia muita mágoa
Tanta dor escorria do meu dedo
Que a minha cara já seca
Mostrava no espelho que eu jamais teria de volta
o velho motivo de tantas lágrimas
Para meu completo alívio
Depois de tanto desespero
Tive medo de soar ridícula a escrita
Mas era ela quem documentava meu rito de passagem
Passei a acreditar na minha história como algo valioso
Que me colocava no exato lugar
Em que eu precisava estar
para viver somente aquilo que me interessava
Ainda bem
No meio do caminho, fiz amigos
Descartei o ânimo para tratar de certos assuntos
Processei sentimentos
Explorei sensações
Enxerguei meu potencial no meio disso tudo
Inspirei gente que amo
O que eu poderia querer mais?
Num dia, não sei se tão belo como o de hoje
Percebi que eu já não precisava arrasar na make de toda manhã
Para estar apresentável
Ser bonita
Aceitei que meu externo é um embrulho
Uma baita palavra feia que questiona
Do que adiante um papel de presente bonito num presente sem graça?
Passei a me ver como uma espécie de preciosidade
que passou a se ver pelo o que é
Talvez não seja algo tão caro e destacado na multidão
Mas cheio de amor e significado para quem é importante
O que eu posso querer mais?
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